"Eu sempre aprendo - e muito - em cada palestra que faço." Foi assim que a jornalista e consultora de moda e comportamento Glória Kalil iniciou o projeto Duetto Meeting, uma série de encontros sobre tendências, moda e beleza. Como primeira convidada da produtora juizforana, Glória subiu ao palco do Cine-Theatro Central na noite do dia 7 de abril para apresentar o tema "Estilo: moda e comportamento".
A expectativa do público para esta primeira visita da consultora a Juiz de Fora era grande. O universitário Raphael Silva queria sugestões de estilo. "Conheço Glória Kalil da TV. Além disso, adoro comprar roupa. Por isso vim", disse. Já a professora Nair Maria compareceu como aluna de um curso de secretariado. "Eu e minha turma do IFET de Rio Pomba queremos dicas para a área", contou. A também universitária Nicolle Bartoli esperava rever conceitos. "É o ideal. Glória Kalil é uma profissional renomada", resumiu.
Empresária no ramo têxtil por muitos anos, a consultora tornou-se conhecida do grande público após suas incursões na televisão, no rádio e na literatura de marketing fashion - como autora dos best sellers Chic (1996), Chic Homem (2004), Chic[érrimo] (2004) e Alô Chics (2007). Conceitos em voga atualmente foram desmistificados por Glória ao público que encheu o teatro. "Moda é oferta, estilo é escolha. Enquanto a primeira é resultado de um caldo cultural, o segundo está ligado à identidade, à expressão do indivíduo", explicou. Portanto, não há somente um padrão ou uma fonte de bom gosto."
Reafirmando o caráter personalista dos termos, Glória explicou o processo transformador que existe por trás do tema. "Até os anos 50, moda significava o pertencimento a uma classe. Nos anos 60, o fator juventude alterou este sistema. Hoje, cada um tem seu estilo", resumiu. Em entrevista coletiva horas antes do evento, ela apontou a etiqueta como fator influente da vida em sociedade. "Para mim, etiqueta é igual a civilidade. É simplesmente uma resposta aos conflitos que a própria sociedade cria". Para a etiqueta do brasileiro, a consultora deu nota 7.
Em tempos de tensão econômica, as relações interpessoais influenciadas pela moda são objeto das atenções de Glória, também formada em sociologia política. "Aprendi a trabalhar o olhar e os sinais de troca que existem. É fato que moda e política não se dissociam. Mas, se existe algo que a crise atual trouxe, destaco o benefício de livrar-nos da ditadura de preços", considerou.
Antes, ela já havia revelado a real faceta econômica do mundo do corte e costura: "A indústria da moda brasileira é cara. Internacionalmente ela não existe - o que há são iniciativas esparsas." Citando uma pesquisa com lojas de departamentos publicada em seu site, Glória afirmou que as tendências são reproduzidas em todas. "Elas descobriram que moda vende mais do que roupa. Entretanto, é a força da marca que determina as vendas desta moda", completou.
Se autodenominando uma serial chic, a consultora apresentou as tendências para o inverno 2009: xadrez, blazer grande, ombros, leggings, calças justas, macacões, moletons, tricôs, peles, franjas, mangas, paetês, vestidos curtos de festa e sete matizes de cores. Mas advertiu: "Moda é informação e olho. Portanto, vá para a frente do espelho para se ver e recuse aquilo que não lhe representar."
Com quase uma hora de palestra, as luzes do teatro se acenderam totalmente para a segunda parte do evento. Palmas efusivas quando Glória revelou não imaginar que havia tantas pessoas assistindo-a. "Que teatro lindo, que beleza! Parabenizo à cidade por este lugar", exclamou. Antes de a plateia começar a fazer perguntas, a jornalista fez mais elogios. "Vim do Rio de Janeiro a Juiz de Fora de carro. Se tem uma viagem que passarei a recomendar a partir de agora será a por este trajeto. A mata, as montanhas, tudo no caminho é belíssimo", afirmou.
As questões levantadas pelo público primaram pela abrangência. O estilo pessoal afeta a indústria? O que acha da moda infantil? Quais as perspectivas para os jovens profissionais? Lojas de departamentos criam ou copiam moda? Qual a real necessidade da moda ecológica? O que a moda do século 21 apresenta de mais marcante? É possível comparar Carla Bruni e Michelle Obama?
Além de revelar seu "calcanhar de Aquiles" (não saber nada de moda infantil), Glória foi categórica ao afirmar: "Tudo o que vocês imaginarem já foi feito em termos de moda. O que vier daqui para a frente dependerá do que a tecnologia será capaz de inventar." Na coletiva de imprensa, ela também foi taxativa quando questionada a respeito do luxo na moda: "Luxo é para poucos. A grande novidade, porém, foi que inventaram a ostentação para muitos - algo excessivo, somente de aparências". Qual seu luxo supremo, então? "Ter um pouco mais de tempo", rebateu.