06.01 - Premiado espetáculo teatral reflete sobre o valor das palavras

Tetragonóptero, Catáfora, Epísio, Nacele, Gorgolão, Hoste, Matroca, Alforje. Para descobrir os significados de palavras tão estranhas, basta recorrer ao livro O menino que vendia palavras, de Ignácio de Loyola Brandão. A obra, na qual um menino que tem o pai que é “o homem mais inteligente do bairro” e sabe o sentido de todas as palavras, chega, nos próximos dias 7 e 8, às 17h, ao Cine-Theatro Central, em apresentações gratuitas.

Premiada como melhor texto adaptado (Pedro Brício) pelo Prêmio APCA, a peça foi eleita como uma das três melhores montagens infantis do último ano pela Folha de São Paulo e recebeu quatro indicações no Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil, uma das mais importantes distinções do país. A trama conta a história de um menino que ao descobrir a inteligência do pai, resolve cobrar por cada explicação dada pelo genitor. De chiclete a fotografias de um navio de guerra, passando por sorvetes e balas, o menino reflete sobre o valor das palavras.

Com um elenco formado por Eduardo Moscovis, Pablo Sanábio, Letícia Colin, Renato Linhares, Luciana Froés e Raquel Rocha, sob a direção de Cristina Moura, o espetáculo é baseado na ficção – vencedora do prêmio Jabuti de 2008 como melhor livro de ficção – oriunda de reais experiências do jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, que durante sua própria infância chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas.                                                                     

A força do livro foi o grande estímulo para Pedro Brício, responsável pela adaptação, e Cristina Moura, no momento da criação. “Inventamos mais estórias, cenas, personagens, mas a narrativa que conduz o espetáculo e os conflitos principais são os do livro. Gosto muito da liberdade, da imaginação, da força que o menino descobre quando se aventura pelo universo das palavras”, exalta Pedro. “O espetáculo discorre também sobre a vida, com todas as suas maravilhas e incompreensões. No mundo contemporâneo e tecnológico não se pode esquecer da maravilha que é ler um livro!”, complementa Cristina.

A montagem de O menino que vendia palavras tem forte apelo imagético, uma opção da diretora, que acredita em um teatro interdisciplinar, que transita entre corpo, texto, imagem e pensamento. “Aqui todas as disciplinas se combinam para promover essa viagem teatral, há a tentativa de contar algo com palavras e com imagens, da mesma maneira que funciona o pensamento narrativo de uma criança, habilidade que perdemos à medida que vamos crescendo”, explica Cristina.

A cenografia, assinada por Vera Hamburger e Flávio Graff, tem como base uma espécie de “biblioteca”, com cerca de 3000 livros, mas também lida com elementos diversos e conta ainda com a colaboração do artista plástico Franklin Cassaro, que desenvolveu um de seus infláveis performáticos especialmente para a peça. Outro elemento cênico importante é uma bicicleta, que trabalha no conceito de pluralidade, utilizando-a de várias maneiras. Ora ela é uma banca de troca/comércio, ora é o veículo que possibilita a viagem pelas palavras.

A ficha técnica é complementada com Paola Barreto, responsável pelas projeções, iluminação de Tomás Ribas, figurinos de Thanara Schonardie, e direção musical e trilha sonora original de Domenico Lancelotti e Pedro Sá. As apresentações têm entrada gratuita mediante troca antecipada de um livro em bom estado.


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