Construção

ORIGENS / CONSTRUÇÃO / INAUGURAÇÃO / CINEMA / TOMBAMENTO / RESTAURAÇÃO

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A história registra o funcionamento de vários teatros em Juiz de Fora no século XIX. A princípio, eram toscos tablados armados em terrenos livres,palcos de apresentações mambembes.Logo vêem-se iniciativas de lideranças locais para proporcionar melhores instalações ao espectador.

O Barão de Bertioga construiu, com mão-de-obra escrava, o Teatro da Misericórdia, em 1863, considerado um dos primeiros de Minas, mas ainda precário. Pouco mais tarde, no início da década de 1870, foi a vez de o comerciante Carlos Otto erguer o Teatro Perseverança. Finalmente, em 1889, os irmãos Ferreira Lage, filhos do pioneiro Mariano Procópio, inauguraram o Teatro Juiz de Fora, que por pouco tempo foi chamado Teatro Novelli, em homenagem a um ator italiano que por lá se apresentou. De todos era o melhor, com suas cadeiras douradas e foyer com espelhos de cristal, mas ainda pequeno e aquém das ambições culturais da cidade.

Somente 40 anos depois, com estes espaços já desaparecidos, Juiz de Fora ganharia seu teatro definitivo, o Cine-Theatro Central. O primeiro passo para a construção foi a fundação, pela sociedade formada por Francisco Campos Valadares, Químico Corrêa, Diogo Rocha e Gomes Nogueira, em junho de 1927, da Companhia Central de Diversões.

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Um ano antes, eles adquiriram o barracão de ferro e telhas de zinco do Polytheama, outro precário teatro da cidade, instalado no terreno entre a rua São João e a antiga rua da Califórnia, hoje Halfeld, e demolido para ceder lugar ao Central.

Coube à companhia construtora de Pantaleone Arcuri, que já começara a mudar a face arquitetônica de Juiz de Fora, fazer o projeto do novo teatro. Raphael Arcuri, o arquiteto, não economizou na grandiosidade e o orçamento acabou ultrapassando as possibilidades financeiras da companhia, obstáculo superado com uma medida providencial – a entrada do próprio patriarca dos Arcuri na sociedade.

Assim teve início a construção do Central, empreitada que tomaria um ano e quatro meses de obras. Não seria o edifício mais alto de Juiz de Fora, nem sua primeira construção em concreto armado, mas sem dúvida um empreendimento ousado, em que se destacava o amplo vão sem pilastras da platéia, sustentado por uma estrutura metálica vinda da Inglaterra, que atemorizou os menos informados sobre esta solução arquitetônica arrojada – um “triunfo da técnica”, como viria a ser saudada.

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O edifício de linhas sóbrias e retas, e fachada discreta, ganhou suntuosa ornamentação artística interna, assinada pelo pintor italiano Ângelo Bigi, radicado no Brasil. Bigi pressentiu que aquela seria a sua grande obra. Legou ao Central uma decoração de sabor de antiguidade clássica, com cenas de ninfas e faunos em jardins românticos e paradisíacos, uma Arcádia mitológica que exala paz, harmonia e felicidade. Ao centro, medalhões com as efígies de grandes mestres da música: Wagner, Verdi, Beethoven e o nosso Carlos Gomes. Enfim Juiz de Fora podia se orgulhar de contar com um teatro digno de sua importância econômica, política e cultural.